Será que os .com estão chegando ao teto? Os domínios .com dominam a internet praticamente desde o seu surgimento. Com mais de 160 milhões de domínios .com registrados, eles continuam sendo, de longe, a extensão mais utilizada no mundo. No entanto, em 2023 os domínios .com registraram uma leve queda no número total de registros em relação ao ano anterior. Será que os ventos estão mudando?
Mais domínios no geral, mas quase os mesmos .com
De acordo com o último relatório da Verisign, o terceiro trimestre de 2023 encerrou com 359 milhões de domínios registrados no mundo. Isso representa um crescimento de 8,5 milhões de domínios nos últimos 12 meses. Esses números refletem um crescimento sólido no número de usuários interessados em criar uma presença digital, mas também escondem uma descoberta surpreendente: em outubro de 2023, havia menos domínios .com registrados do que no ano anterior.
Fonte: Verisign, Domain Name Industry Brief Quarterly Report
Fontes da Verisign afirmam que os domínios .com continuam em boa forma e explicam a leve queda (cerca de 0,1% do total) pela forte redução nos registros de .com vindos da China:
Excluindo os registradores sediados na China, tanto nossa base de nomes de domínio quanto os novos registros aumentaram no terceiro trimestre em comparação com o ano anterior.
Presidente e CEO da VeriSign. Fonte: marketbeat.com
Vale destacar que o .CN é a segunda extensão com mais domínios registrados, embora muito atrás do .com. Com pouco mais de 20 milhões de domínios .cn, há aproximadamente 140 milhões a mais de domínios .com do que .cn. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, a queda nos registros de .com vindos da China não indica uma preferência crescente dos usuários chineses pela extensão nacional. Os números do .cn estão estagnados desde 2016, o que sugere que as razões para a queda na demanda por domínios na China têm outras origens — provavelmente a redução de registros em massa por parte de investidores de domínios no país, ou uma menor motivação de empresas e usuários chineses para construir uma presença online independente, dado o domínio das grandes plataformas de e-commerce na China.
Um universo de domínios cada vez maior
Por outro lado, o mercado de nomes de domínio está vivendo uma clara tendência de diversificação. A crescente dificuldade de encontrar domínios .com disponíveis tem levado mais usuários a optar pelos domínios nacionais de seus países (conhecidos como ccTLDs), como .ar, .cl, .es, entre outros. Ao mesmo tempo, a proliferação de novos domínios genéricos (.online, .top, .shop, .app, etc.) — aliada aos esforços de marketing das empresas que os administram — está contribuindo para que um número crescente de usuários e empresas os adote para estabelecer sua presença na internet.
Isso se reflete nas estatísticas de registro ano a ano: os domínios nacionais como um todo cresceram mais de 5,4 milhões (acima de 4%), enquanto o número de novos domínios genéricos registrados aumentou em quase 3 milhões, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior.
Luzes e sombras para os domínios de países hispânicos
Apesar do bom desempenho dos domínios nacionais no geral, os ccTLDs correspondentes a países hispânicos parecem seguir uma tendência ligeiramente diferente. De todas as extensões da Espanha e da América Latina, apenas .py (Paraguai) e .pa (Panamá) cresceram acima da média mundial. Considerando o volume limitado dessas duas extensões, o panorama geral para os domínios de países hispânicos não é animador.
Entre os demais, apenas .es (beneficiado pelos programas de apoio à digitalização das empresas espanholas) e .uy parecem acompanhar o ritmo de crescimento mundial, enquanto o restante dos domínios latino-americanos apresenta sinais de estagnação ou até viu seus números de registro recuarem nos últimos meses.
Evolução dos registros para ccTLDs de países hispânicos (2023). Fonte: dados compilados dos registros NIC responsáveis por cada extensão.
Nesse cenário, os domínios .co sofreram uma queda expressiva — 120.000 domínios a menos (-4%) em relação ao ano anterior. Dado que o .co adota uma estratégia dupla — posicionando-se tanto como alternativa ao .com quanto como domínio nacional da Colômbia — é provável que sua evolução esteja sendo afetada pelos mesmos fatores que travam o crescimento do .com.
Igualmente preocupante é a trajetória dos domínios .CL. Os domínios do Chile perderam 16.000 registros nos últimos meses, uma queda de quase 3% no total. Dada a natureza dessa extensão, essa evolução pode ser um sinal de que o ritmo de incorporação de novos usuários chilenos à internet está começando a diminuir.
Total de domínios para ccTLDs de países hispânicos (2023). Fonte: dados compilados dos registros NIC responsáveis por cada extensão.
Conclusão: o .com desacelera enquanto o universo de domínios se expande
Os domínios .com — por muito tempo o padrão de referência da identidade na internet — estão dando sinais de que o mercado está amadurecendo. A leve queda nos registros de .com pode indicar um certo nível de saturação: domínios .com de qualidade são cada vez mais difíceis de encontrar, e isso está impulsionando o crescimento das muitas alternativas que surgiram ou ganharam força nos últimos anos — tanto domínios nacionais quanto novas extensões genéricas.
Já os domínios próprios dos países hispânicos parecem ficar ligeiramente para trás da dinâmica global. Apenas quatro extensões (.py, .pa, .es e .uy) acompanham o crescimento mundial dos ccTLDs. O restante dos domínios latino-americanos se encontra estagnado ou apresenta sinais de retração, enfrentando o mesmo desafio do .com: voltar a crescer. E, apesar de tudo, o .com continua sendo o rei dos domínios.


